domingo, 1 de abril de 2012

Domingo

Jeans jogados sobre as cadeiras,
Lembranças pintadas em tons escuros,
entre a passagem insistente e colada,
seus tons pastéis, esvoaçantes,
De pernas cruzadas,
Corpos espalhados,
Fragrância de anos que não passarão,
De escudos caídos,
Rasgados, rendidos,
Domingo é sempre redenção.

terça-feira, 27 de março de 2012

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fim de ponto,

na linha,

marco,

do traço que rasga,

embaraço,

laço no espaço,

vazio que se abre,

aperta o destino,

e vem chegando a hora,

rim, estômago, coração,

razão sem vão,

encontro marcado,

na falta das estrelas,

das batidas do sino,

envergadura da pele,

me respondo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Aposta



    Verdade,



    é difícil dizer o que se pensa,

    o que realmente se pensa,

    que seja ordinário,

    ou apenas digno,

    sem idade,

    apenas fases.

    Nunca há tempo,

    tudo bem,

    que seja efeito,

    o que for necessário,

    não o justo,

    como tudo na vida,

    não há culpa,

    e uma coisa leva a outra,

    e assim se vai,

    mais uma rodada.

    quarta-feira, 23 de março de 2011

    conselho?

    Seja assaltado,
    não importa,
    saia de casa,
    vá até o centro,
    tome uns foras,
    pise nas linhas,
    desvie das marquises na hora da chuva,
    tudo bem se as pessoas de guarda chuva caminham sob elas.
    Fique triste,
    esqueça o que for preciso,
    faça que não viu vez em quando,
    deixe ir,
    não responde,
    nem esconde.

    segunda-feira, 14 de março de 2011

    Chamem a cavalaria

    Estou diminuindo, sinto encolher. No peso dos ombros jaz um ser que me empurra, e que com um barbante puxa meu queixo líquido. Por isso eu preciso sair, correr, voar, não importa onde, quero de novo, renovar, solicitar um passaporte, uma outra cidadania, uma ventania, sair do chão, do mesmo, da gravidade das queixas sem fundamentos, correr das vítimas das ruas, trocar as janelas e portas escurecidas pelas vidas, desligar os alarmes sem fim dos carros, dos prédios e celulares, silêncio por favor! Quero enxugar o vazio seco das lágrimas da raiva, cagar sobre a injustiça corrupta que sem efeito continua há milênios gritando nos ouvidos anestesiados de frio, não aguento mais meu não. Não posso mais com as sinaleiras a cada 10 metros, dos pedintes, da indignidade, da burrice dos cegos que acham que tudo está bem e que assim caminham as coisas, dos porcos engordados pela ilusão dos desgraçados, dos vampiros que julgam e desprezam a verdadeira genuina vontade dos outros. Dos olhares retos e das avaliações de desempenho, das indicações, congestionamentos, pop ups, ofertas, vendedores ricos de necessidades estúpidas, imbecilidade do pensamento romântico e futilidade do materialismo raso, pode ser?

    quinta-feira, 2 de setembro de 2010

    Sinal amarelo



    Como é bom ser o último a passar pela sinaleira quando ela ainda permanece amarela, quando o trânsito está cheio, e há pressão por todos os lados. Mas a melhor de todas é a sinaleira da 7:30 hs da manhã, na encruzilhada da Goethe com a Silva Só. Nessa hora o trânsito já é bem intenso. Tenho dificuldade de acordar e enfrentar a manada de pessoas competindo e correndo, sempre atrasados e mau humorados, para não ser mais um desses chego sempre 15 minutos mais cedo que o necessário no trabalho. Quando passo pelo sinal amarelo, deixo os que estão na frente se distanciarem e sem preocupação diminuo a velocidade e vou sozinho bem devagar, imaginando por um minuto como seria se a avenida permanecesse assim estendida. Por alguns instantes súbitos e incertos consigo respirar a rua, o sol, o dilúvio, a cor do dia e as crianças caminhando para a escola. Esse é um minuto sagrado, quando sou presenteado pela sorte rara do sinal amarelo me acenar. Curto e duvidoso. Talvez assim sejam as vias da vida, elas não dependem da gente, vivemos esperando que se abram ou fechem, respeitamos suas cores, suas direções, quem vem acenando atrás ou vai devagar na frente, e nunca sabemos bem como ou onde estará a próxima. Cada um apenas esperando que o semáforo não se feche em alguma encruzilhada. Pelo menos vou cantando.

    domingo, 22 de agosto de 2010

    Desembaraçando o olhar,
    busco ancorar as pernas naufragadas,
    mergulhar na fronha dos aromas,
    nadar na chance das incertezas,
    embarcar na proximidade salgada,
    remar na espera da descoberta não afundar,
    mapeando entrelinhas duvidosas no céu,
    a vista de um coração.

    quarta-feira, 18 de agosto de 2010

    culpa

    Algumas pessoas só precisam ouvir isso:
    "vai ser feliz",
    "tu está indo bem",
    "pare de ser tão bonzinho".
    Uma das falsas vantagens da tristeza é a de aliviar as culpas.
    Assuma a pena, e depois siga.