O vazio pode te devorar ou te fazer correr atrás,
é maléfico quando prenho de auto piedade.
Pode ser mascarado por orgulho, livros, filmes, música, títulos, certezas, cachorros,
desmascarado por sonhos, esperança, amor, coragem, trabalho e paciência,
o vazio aumenta para os que buscam completude,
os que não aprendem que não há conclusões,
do vazio ninguém foge pra sempre,
o vazio pode libertar,
ele só precisa de um abraço.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Si
Ela escondida passou com um silêncio melodioso,
me encontrou com seu sorriso de poucas fotos,
entendi rapidamente que não sairia ileso,
eu disse oi e ela respondeu enchendo seu café com açucar,
uma mulher com receitas de família na ponta da memória,
herdou um sorriso tímido e um sinal pouco acima dos lábios que soube derreter,
posssuidora de uma liberdade dos que limpam a própria casa,
a força singela de quem passou por tempestades e sobreviveu,
aprendeu a ficar sozinha,
conhecedora do maduro sabor das doçuras amargas,
ainda assim com um encanto reservado na palma dos olhos,
deixou eu pegar sua mão,
não apertou nem afastou,
assim permaneci e pudemos caminhar,
me levou à Paris sem sair do próprio porto,
me ensinou coisas de cinema comendo devagar,
achou que eu ficaria com receio de suas mãos polares,
não poderia saber dos vendavais por que passei,
suportei o frio acreditando no calor,
e assim poderemos esquecer as traições congelantes,
apostando nossos nomes de verdade.
me encontrou com seu sorriso de poucas fotos,
entendi rapidamente que não sairia ileso,
eu disse oi e ela respondeu enchendo seu café com açucar,
uma mulher com receitas de família na ponta da memória,
herdou um sorriso tímido e um sinal pouco acima dos lábios que soube derreter,
posssuidora de uma liberdade dos que limpam a própria casa,
a força singela de quem passou por tempestades e sobreviveu,
aprendeu a ficar sozinha,
conhecedora do maduro sabor das doçuras amargas,
ainda assim com um encanto reservado na palma dos olhos,
deixou eu pegar sua mão,
não apertou nem afastou,
assim permaneci e pudemos caminhar,
me levou à Paris sem sair do próprio porto,
me ensinou coisas de cinema comendo devagar,
achou que eu ficaria com receio de suas mãos polares,
não poderia saber dos vendavais por que passei,
suportei o frio acreditando no calor,
e assim poderemos esquecer as traições congelantes,
apostando nossos nomes de verdade.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Inter 2 X Chivas 1

O Inter foi lá, foi lá e virou o jogo como se estivesse em casa. Perdemos nosso artilheiro Alecsandro, substituido de forma equivocada por Roth, mas com Giuliano, o gol é quase garantido. Um time com uma tranquilidade e um toque de bola preciso, digno daqueles que pretendem levantar taças, construir estradas e suportar pressões. Foi preferível levar um gol no fim do primeiro tempo do que no início do segundo, ganha-se assim tempo de respirar, ouvir o técnico e se motivar. O futebol tem suas injustiças e não havia culpados, foi uma cabeçada inusitada do mexicano vestido de Michael Jackson, sem chances para Renan. Voltamos e continuamos fortes e serenos. Celso Roth, como poucos, teve a capacidade de modificar a prória substituição, admitir um erro antes do fim é o que chamo de humildade corajosa, elemento crucial em qualquer guerra. Everton, em nenhum momento mostrou a que veio e não deveria ter sido escalado para abraçar tamanha responsabilidade. Sóbis entra em campo, então recebe a bola pela direita entre dois marcadores, e num passe de três dedos, entrega para D´alessandro no meio, ele inverte na esquerda para Cléber, que com um cruzamento preciso encontra Giuliano, que salta sem medo de ser feliz ou triste e encontra a bola, tudo fica suspenso, um giro de 360 graus percorre a tela da mente como no filme matrix, um milésimo de contato, tudo no ar, ao inferno com Newton e suas gravidades, esquecendo qualquer lei, Giuliano pressente a bola, colocando-a quase que como se com as mãos num ponto inatingível, secreto, escondido, uma nota, um domínio, um toque, um tapa, uma força, uma certeza, um instinto, suave e firme, um arco no tempo, o goleiro voa um voo sem fim, sem retorno ou devolução para o que marcaria o que começava a se tornar uma virada heróica, um abraço entre a bola e a rede, que girando fez pular uma nação inteira, ensinando que a força da imprevisibilidade aleatória raramente desmancha um trabalho dedicado do desejo. E assim foi. Nada está ganho, e o fim pode ainda reservar medos, receios e apreensões, mas até lá serei sempre feliz por torcer pelo Inter. Andar com fé eu vou, não importando se ela falhe.
sábado, 31 de julho de 2010
Na terra
Acreditou, finalmente que, de fato, tudo poderia ser decidido com um sim ou um não, pensou que talvez e quem sabe são venenos mortais quando duram demais. Esperar respostas sentado envelhece, respostas precisam ser perseguidas, deve-se correr por elas.
Ninguém foge para sempre. Estava cansado de furar, desistir e encolher.
Entendeu que só quase no fundo da tristeza é possível mudar.
Mas balançou de novo, e então suspendeu quase tudo. Depois, com uma desconhecida força, aprendeu a ouvir e calar as vozes travestidas que habitavam suas costas, as que diziam que era completo, tentando abrandar desse modo as penosas faltas, que o faziam questionar o seu ar próprio.
Quis ficar só pela primeira vez com sua franqueza,
queria sentir sem filtro todos os adeuses e desperdícios,
todas as ausências de si,
queria poder voltar a falar sua língua.
Queria tocar o silêncio por trás dos infinitos presentes que imaginava merecer por qualquer suor. Descobriu que depois de tantas peneiras, se fica cego, se submerge em si, e se esquece que o mundo, assim como diz não, também pode oferecer o que se tanto deseja.
Começou a entender onde os sonhos podem ser plantados.
Não mais nas nuvens.
Ninguém foge para sempre. Estava cansado de furar, desistir e encolher.
Entendeu que só quase no fundo da tristeza é possível mudar.
Mas balançou de novo, e então suspendeu quase tudo. Depois, com uma desconhecida força, aprendeu a ouvir e calar as vozes travestidas que habitavam suas costas, as que diziam que era completo, tentando abrandar desse modo as penosas faltas, que o faziam questionar o seu ar próprio.
Quis ficar só pela primeira vez com sua franqueza,
queria sentir sem filtro todos os adeuses e desperdícios,
todas as ausências de si,
queria poder voltar a falar sua língua.
Queria tocar o silêncio por trás dos infinitos presentes que imaginava merecer por qualquer suor. Descobriu que depois de tantas peneiras, se fica cego, se submerge em si, e se esquece que o mundo, assim como diz não, também pode oferecer o que se tanto deseja.
Começou a entender onde os sonhos podem ser plantados.
Não mais nas nuvens.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
lembrete
"Calma", "pare" e "menos".
O ministério da saúde mental adverte,
é bom saber usá-los com moderação.
O ministério da saúde mental adverte,
é bom saber usá-los com moderação.
terça-feira, 18 de maio de 2010
silêncio
Hoje faço aproximadamente um mês de silêncio, e apesar da chuva pedir minha voz, tentando assoprar promessas de uma nova velha chance de seguir, desacreditado, pareço andar sem alvo. Estou entre a redução de danos e a esperança. Mudar é um esforço hercúleo que envolve se soltar dos próprios braços, se desenroscar de si. Me encontro brigando no quase sempre, entre o menejo das contingências e a vontade de esquecer e ir. Um dia eu volto.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Do filme "à procura de eric"

"a vingança mais nobre é o perdão"
Um diálogo entre eric Cantona, um famoso jogador de futebol e Steve, um carteiro que é seu fã.
Steve-Qual foi o momento mais marcante de todos?
Eric -Não foi um gol.
Steve -Tem que ser um gol! Tenha dó. Último minuto, final da FA Cup contra o Liverpool.
Beckham cobra escanteio. O goleiro sai. E espalma. Ela atinge seu peito, você coloca no chão e chuta forte.
Pancada direto na rede!
-Não.
Wimbledon. Tem que ser Wimbledon. Você está indo na direção da bola.
A bola está vindo.
Calculando a trajetória dela, o ângulo. O giro dela.
Para onde o vento está soprando.
A velocidade do vento. Tudo.
Você estica o pé direito.
Domina à meia altura.
Manda a bomba com o pé.
E enfia lá dentro.
O voleio mais perfeito do mundo.
E já era. É gol.
Tem que ser um gol, Eric.
Eric-Foi um passe.
Steve- Um passe?
Eric - É.
Steve- Meu Deus. Para Irwin contra o Spurs. Sim! Lindo.
Eric- Eu sabia como ele era talentoso. Pé esquerdo ou direito. Foi um reflexo.
Só dei um toque com o lado do pé. Surpreendeu a todos.
Pancada direto na rede!
-Não.
Wimbledon. Tem que ser Wimbledon. Você está indo na direção da bola.
A bola está vindo.
Calculando a trajetória dela, o ângulo. O giro dela.
Para onde o vento está soprando.
A velocidade do vento. Tudo.
Você estica o pé direito.
Domina à meia altura.
Manda a bomba com o pé.
E enfia lá dentro.
O voleio mais perfeito do mundo.
E já era. É gol.
Tem que ser um gol, Eric.
Eric-Foi um passe.
Steve- Um passe?
Eric - É.
Steve- Meu Deus. Para Irwin contra o Spurs. Sim! Lindo.
Eric- Eu sabia como ele era talentoso. Pé esquerdo ou direito. Foi um reflexo.
Só dei um toque com o lado do pé. Surpreendeu a todos.
Ele sabia o que fazer com a bola e me emocionei.
Um presente. É como uma oferenda ao Grande Deus do Futebol.
Steve- E se ele tivesse falhado?
Eric- Você tem que confiar nos seus colegas de time. Sempre. Se não, estamos perdidos.
Um presente. É como uma oferenda ao Grande Deus do Futebol.
Steve- E se ele tivesse falhado?
Eric- Você tem que confiar nos seus colegas de time. Sempre. Se não, estamos perdidos.
Tudo começa com um passe bonito.
terça-feira, 6 de abril de 2010
diálogo do filme bonecas russas
Copio e recomendo o blog http://picadinhoderoteiro.wordpress.com
Ouvimos a voz de Xavier enquanto escreve em seu computador no trem que vai levá-lo até Wendy.
Xavier - Pensei nas garotas que conheci, com quem transei ou só desejei. Elas eram como bonecas russas. Passamos a vida inteira nesse jogo, querendo saber quem será a última, a menor de todas, a que estava escondida dentro das outras desde o início. Não podemos ir direto até ela, temos que seguir as regras. Abrir uma após a outra e nos perguntar: “Esta é a última?”
Por quantas primeiras últimas temos que passar?
Ouvimos a voz de Xavier enquanto escreve em seu computador no trem que vai levá-lo até Wendy.
Xavier - Pensei nas garotas que conheci, com quem transei ou só desejei. Elas eram como bonecas russas. Passamos a vida inteira nesse jogo, querendo saber quem será a última, a menor de todas, a que estava escondida dentro das outras desde o início. Não podemos ir direto até ela, temos que seguir as regras. Abrir uma após a outra e nos perguntar: “Esta é a última?”
Por quantas primeiras últimas temos que passar?
segunda-feira, 5 de abril de 2010
os problemas começam...
Os problemas começam quando o medo de não ser esquecido é maior que o desejo de ser lembrado,
quando o medo das retinas é maior que o da necessidade,
quando a carência é menor que a solidão.
quando o medo das retinas é maior que o da necessidade,
quando a carência é menor que a solidão.
domingo, 4 de abril de 2010
pra começar
Não tenho mais tanto tempo e dizer adeus basta,
a verdade quase não precisa ser dita,
O que sei deve chegar,
sei que sou insuficiente,
mas enxergo o que devo fazer,
espantarei a preguiça e o medo da solidão,
porque tudo no fim é menos difícil do que imagino,
e ninguém é imune.
a verdade quase não precisa ser dita,
O que sei deve chegar,
sei que sou insuficiente,
mas enxergo o que devo fazer,
espantarei a preguiça e o medo da solidão,
porque tudo no fim é menos difícil do que imagino,
e ninguém é imune.
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