terça-feira, 3 de março de 2009

Exorcismo parte I

Estou indignado com os pais de crianças do MST que proibiram-nas de ir à escolas que não sejam do seu movimento
Furioso com as queimadas na amazônia, que perdeu o equivalente a meia São Paulo em três meses
Estupefato a respeito da falta de sensilbilidade dos outros
Com os castelos que políticos corruptos constroem com o nosso dinheiro
Doações milionárias do Brasil para a reconstrução da Faixa de Gaza
Com a merda do cachorro na rua
A cegueira indiferente, proposital e opcional.
Todos esses eu vi num mesmo dia!
Queria atirar, pular em cima, gritar no ouvido, fazer movimentos contra movimentos, jogar merda na casa dos donos de cachorro
O que eu posso fazer?
Olhar as queimadas que eu próprio me dou,
Destruir os castelos grandiosos que eu construi nas minhas ilusões infantis, herdadas e escolhidas.
Reconhecer minhas friezas e desperdícios.
Entender que na minha merda eu mesmo piso.
Se eu fosse uma Madre Teresa de Calcutá minha vida seria dedicada a causas.
Eu juro que daria meu sangue, morreria por elas até.
Como seria mais fácil salvar o mundo desse jeito!

4 comentários:

Luciane disse...

Exorciza, Marcelinho. E assim, pouco a pouco, vamos lutando para ser as Madre Terezas de nossas próprias dificuldades.

marcelo disse...

Bem isso na verdade! É fundamental olhá-las!

nadia disse...

Ah, Marcelo
Sabe que eu já sofri muito por não ter como lutar e por essa sensação de impotência que bate em relação a todas as grandes e estúpidas causas, e aí, não sei se foi a idade, a terapia ou minha filha, mas entendi que a nossa ética particular, a nossa postura, os nossos não "cocôs" deixados, a nossa consciência, muda o nosso mundo, e tudo é tão interligado que muda o mundo...eu sei que pode parecer Pollyanice, mas nossa lei básica em casa: "não faça aos outros o que não queres que façam a ti", que é o mesmo que "trate os demais como queres ser tratado"...
tem funcionado! A gente precisa mudar o nosso mundo antes...

beijo
ps-acho que aquele encontro vai bailar, uma pena por que adoraria!

marcelo disse...

Não acho que seja pollyanice essa lei básica. Quase ninguém à aplica nos dias de hoje. Ela é preciosa, alguns gostam de citá-la quando se sentem pisados, mas não quando pisam.