sábado, 23 de janeiro de 2010

A velha a fiar



"Estava o homem no seu lugar, veio a morte lhe incomodar: Morte no homem, homem no boi, boi na água, água no fogo, fogo no pau, pau no cachorro, cachorro no gato, gato no rato, rato na aranha, aranha na mosca, mosca na velha e a velha a fiar".

Essa canção está batendo na minha mente volta a e meia, do nada. Acho que ela quer me dizer algo. O recado talvez revela que é melhor se acostumar, não há sossego ou paz no círculo da vida, todo mundo se querendo, sempre tem alguma coisa incomodando, interpelando, esperando ou interrompendo, mesmo assim não podemos deixar de fiar. Mas na verdade, penso que a música quer dizer que é importante saber a hora de parar de fiar, juntar o mata mosca e esmagar a desgraçada, depois fazer outra coisa menos repetitiva e mais interessante com a vida. Cantava quando criança, entendi só agora; pelo menos ainda não sou velho.

10 comentários:

Kenia Cris disse...

Adoro as coisas que ficam martelando recados nas cabeças dos homens, pena que nem todo mundo presta a devida atenção a essas mensagens.

Interessante a sua interpretação do recado.

Acredito que na vida, aconteça o q acontecer, não podemos deixar de fiar nosso destino, não podemos nos deixar sermos distraídos por fatores externos e incontroláveis.

Claro, há que se levantar da cadeira vez em quando, descansar as mãos e a mente e os olhos e pensamentos, nenhum trabalho precisa ser chato, nenhuma vida precisa ser entediante.

Bom demais você não ser velho, e ainda jovem ter olhos, coração e mente tão sábios.

Beijo-te com carinho.

Fran disse...

Oi, Marcelo! Bem vindo de volta aos posts!!
Eu conheço a música. Mas eu interpretava de outra forma... Para mim, a "velha a fiar", citada no final é a velha vida... isso, a vida mesmo, a fiar o destino que liga todos os seres até a teia final, a morte, que por sua vez, esteve sempre ali como o ponto final desse lindo coser.

Nádia Lopes disse...

ah Marcelo
eu nunca pensei o que essa musica martelante queria dizer no seu enredo, talvez seja isso: a repetição no pertence, assim como toda a chateação adjacente, que se não pertence estão por um fio de BASTA!
beijo-bom te ler de novo

Luciane Slomka disse...

Que ótimo isso, mano. Também tenho essa musica marcada em mim, da nossa infância, mas nunca havia parado para analisar assim...talvez a chave do que tu diz esteja na parte estar "no seu lugar". Talvez seja hora de sair do mesmo lugar, para lidar com outros insetos alem da mosca.
Saudades tuas.

marcelo disse...

É por isso que eu gosto de blog!! Quantas opiniões ótimas!!!
A conclusão coletiva é de que devemos fiar o destino que liga todos os seres até a teia final, a morte, sem ficar smpre no mesmo lugar.

Jéssica V. Amâncio disse...

Rotina derruba. Eu que não quero ser uma velha-jovem sempre a fiar.

Luciane Slomka disse...

A ultima frase, completa, é assim: estava o homem no seu lugar, veio a morte lhe incomodar: Morte no homem, homem no boi, boi na água, agua no fogo, fogo no pau, pau no cachorro, cachorro no gato, gato no rato, rato na aranha, aranha na mosca, mosca na velha e a velha a fiar. :)

marcelo disse...

Muito bem visto mãna! Valeu! Já mudei.

Renata de Aragão Lopes disse...

"Não há sossego."

O tempo não para,
a vida não se acomoda.

Vivemos
de um eterno ir e vir...

Um abraço,
doce de lira

Gisa disse...

Oi Marcelo, passei para dar um "oi" e encontro em seu texto a resposta de um grande homem...

bjs