domingo, 5 de julho de 2009

Vou desgrudar os olhos e ouvidos de mim e lançá-los ao norte.
Espero que não deixemos de nos encontrar se vieres em alta velocidade na contra-mão.

sábado, 4 de julho de 2009

O melhor poema para Michael!!!


Michael Jackson era negro e queria ser branco (com sua cota ancestral de dor negra)
O que o vitimizou – como um estigma
Michael Jackson era pobre e queria ser rico (de posses infantis e desejos transversais)
O que o desconfigurou como um estorvo
Michael Jackson era homem e queria ser mulher (de alguma maneira que pudesse)
O que o adulterou - Narciso cego, Édipo manco
Michael Jackson queria ser judeu (mas era um Peter-Pan enjaulado em cantagonias)
O que o marcou como ser na identificação de.
Michael Jackson como um não-Ser num não-lugar
Cantava dançava compunha dirigia criava voava
Um quase preto homem-menina com desvios íntimos
Com fox-trot nos pés e nos quadris portentosos
E uma alma sempre criança mal-amadurecida
Na ultrajada inocência para fins midiáticos e lucrativos
Fugiu-se na música – as ousadas canções
Tinha ritmo frenético – em viagens sonoras
Sobreviveu feito ermitão – urbano entre brinquedos
O pop do alto ao chão – paranóia na vida-livro
Muito além dos píncaros da glória efêmera...Agora não tem cor – Não há cor na morte
Agora não tem posses – Nada levamos daqui
Agora não tem sexo – A terra há de comer
Agora não tem vitiligo: pergunte ao pó
Para ter sua tão sonhada Neverland
Assim na terra como no céu em purgações
Cortaria os próprios pulsos com música
Melodia, harmonia, ritmo em vício-clip
Sem saber que do outro lado da vida-hollywood-presley
Não há hormônios - nem cirurgias
Não há espelhos – nem camarins
Talvez nalgum lugar entre o céu e o inferno da terra-mãe
Ele encontre finalmente paz – mas uma paz não humana
E então não tenha mais vergonha da cor
Não tenha nunca mais vergonha do rosto
Não tenha vergonha da origem ou do sexo
Porque seu espírito atribulado finalmente se refrigerará
Em estúdios muito além de suas tantas realidades paralelas
E dentro da morte – muito além do som do silêncio –Ele novamente ensaiará os primeiros passos de si mesmo
Como num “Thriller”.
(Silas Correa Leite)
(Créditos do programa Provocações, com Antonia Abujamra- Todas sextas feiras, às 22:10)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Dia da final!


Eu acredito!

Acredito que o inter pode virar o jogo, porque o inter mesmo me deu lições de fé na vida quando as chances eram poucas. O inter me ensinou que é melhor acreditar do que murchar desconfiado, dizer que não esperando um sim é das maiores covardias. Porque quando acreditamos, podemos cair, claro, e muitas vezes caímos e quebramos, mas quando tudo indica a morte e o gol rompe, aí surge a surpresa boa que pode ser viver apenas esperando. Virar jogo é para poucos. Desistir antes é comum. Ganhar quando tudo aponta para a vitória é mais fácil, menos dolorido, tranquilo também. Mas ganhar quando as chances são escassas, quando o adversário é tão forte quanto nós, aí a situação é adrenalítica. Não sei o que acontecerá hoje, espero um sim, ou melhor, três sins seguidos e fim. Espero muito, talvez pela primeira vez estou indo assim, mesmo sabendo que a garantia é pouca, a segurança é zero. É daí mesmo que nasce minha esperança. Espero virar o jogo, não tenho e nem posso ter certezas, seria onipotencia demais. Não sejamos injustos conosco, com o inter e com a vida. Prefiro a confiança terrestre no lugar das fantasias saltitantes da certeza.

VAMOS INTER! TE AGRADEÇO ANTECIPADAMENTE! NADA NUNCA VAI NOS SEPARAR!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Doença grave

O menino prometeu salvar outros se escapasse,
iluminou-se ao ser atendido,
endividou-se pelo voto.
Hoje crê que se parar de curar adoecerá novamente.
Desde então continua doente, detento,
sem dor, com medo
rendido de si,
Uma doença maior.
Deus não é cobra.

Necessidade

Obrigada a crescer cedo demais,
Teve que limpar a sujeira dos irmãos,

reparar as pontas quebradas da mãe.
Esperou retribuição.
Agora nada a satisfaz,
chora sem saber,
Graduou-se na arte do desaparecimento,
No lugar do coração ficou um cartola sem vestígios de coelho,
os olhos endurecidos não giram mais,
sua tristeza casou, o mundo diminuiu.

Cuidará de quem?
Precisa de um bebê,
foi treinada em lustrar necessidades,
adiará novamente seu encontro consigo?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Realizar x Cumprir

Cumprir é uma virtude da ordem,
realizar é do desejo, anseio
cumprir é alíviar, se livrar, assentar
realizar é esperar, alongar, ir sem saber ao certo,
cumprir é sem paixão, requer responsabilidade e consideração
realizar é regar, cuidar, sofrer
cumprir é meta, objetivo, prazo,
realizar é uma proposta,
realizar é desistir dos ideais em nome da verdade,
cumprir é se contentar com a razão,
cumprir é parente do cinismo,
realizar é inapreensivel direção, é teatro nos bastidores, diálogo no silêncio,
admiro os que não se acomodam em seus cumprimentos,
e se encorajam nas curvas arriscadas da realização.
Cumprir antecede a realização,
não devemos nos desistir facilmente.
Um dia o piloto automático pifa.

domingo, 21 de junho de 2009

Se algum conselho ajuda... (Platão já morreu).

Parem com essa obsessão pela completude!
Quanta estupidez!
Isso me cansa!
Essa vontade de preenchimento é perversa,
é a origem de todos os males do espírito e do coração,
Não esperem tampouco se completarem sozinhos,
não há saída, não há auto ajuda
não finjam não precisar de ninguém como forma de se preservar,
Tamanha arrogância e soberba corrói, afasta, assusta
Não fechem os olhos, não olhem acima das orelhas.
Acordem! Apesar da metafísica, o tempo não é relativo, ele é linear e constante, o resto é cegueira.
Se você se amargurou não deixe seu próprio orgulho azedar o que sobrou.
Ninguém é tão morto que não se machuca.
Não espere entender o passado para aceitá-lo. Talvez essa seja a única condição de seguir que a vida te dá.
O resto é contigo.

Domingo

Acordo cedo,
apesar do cansaço, alimento meus peixes,
eu só preciso reconhecer.
Acordo cedo,
queria esconder as lâmpadas.
Cabelos arrumados me assustam.
Acordo cedo,
descubro tintas secas na geladeira,
dia de limpar,
entender o que não alimenta mais.
Acordo cedo,
apesar do cansaço,
uma vontade de não dormir nunca mais, cócegas no precipício da língua.
Vou para a rua com uma cantiga de amor pendurada,
preciso aprender a me ajoelhar e levantar, sei empurrar meus pés.
Me dou a mão e visto minhas lentes.
Daí entendo porque as missas acontecem aos domingos.

sábado, 20 de junho de 2009

Be

"Be the change that you want to see"

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vencido

Não namorem valquírias, valérias, valescas.
Elas tem prazo curto,
Todos os alimentos do mundo me olhavam até hoje,
acusando meu fracasso
Lot 25673849/ val 27/05
Sua origem, sua morte.
Val expirou há muito tempo,
e eu insistia em regurgitá-la.
Ruminem dores se necessário.
Mas não esqueçam da val.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ideais não tem chão

Desesperado não plantava,
precisava de nós difíceis,
sem sustentar a tensão,
não soube voltar,
não conseguia mais descer,
nada o contava.
Queria intensidades sem nomes.
Acreditou ser possível,
murchou pensando que poderia ser diferente.