terça-feira, 9 de março de 2010

Cada um no seu quadrado dos infernos

Ontem, lá pelas 17 hs, ao sair do meu local de trabalho, fui obrigado a retirar o carro de uma colega antes, já que ele estava bloqueando a passagem do meu. Acontece que não obtive ajuda dela, que estava ocupada atendendo, então manobrei o carro dela, colocando-o, durante 5 minutos, na frente da garagem do vizinho da frente, para que , depois de retirado o meu carro, eu pudesse recolocar o automóvel dela no lugar de origem.
Quase terminada a operação, fui buscar o carro dela, e encontrei o dono da casa: um senhor com seus setenta anos, vestido com um abrigo. Eu já cheguei avisando que o carro era meu e que eu não havia estacionado alí, explicando a situação. Ele parecia visivelmente irritado e respondeu que apesar disso, eu não poderia ter feito aquilo sem a sua permissão, que alí não era local público, tendo expresado sua insatisfação, eu apenas pedi perdão e me retirei com delicadeza. Ele virou-se e voltou para seu asilo.
Fiquei com raiva depois disso, pensei que eu deveria ter sido mais rude e irônico. Deveria ter perguntado se havia lhe ferido ou causado algum mal e, caso sua resposta fosse positiva pediria perdão, cogitei também a possibilidade de ter dito que, se havia lhe ferido, que me perdoasse. Eu juro, meu carro não passou de 5 minutos no local. Tentei imaginar como seria se eu estivesse na situação inversa, se iria me irritar assim e conclui que não. O velho estava dentro de casa, eu não impedi sua passagem, nem tampouco seu direito, super valorizado, intocável, venerável e sagrado de ir e vir, eu estava o tempo todo de olho no carro da colega, em caso de algum imprevisto ou emergência.
Acabei tentando digerir a raiva, me achando um trouxa por ser tão educado e por deixar as pessoas fazerem o que bem entendem sem uma contra repreensão da minha parte em nome do respeito aos mais velhos. Eu não tenho culpa pelos ressentimentos alheios, mas alguém sempre acaba tendo que pagar a conta por eles. Acredito que para fins de entendimento de situações assim, não há sentido em tentar desculpar a resposta do sujeito como consequência da sua velhice, aposentadoria, invalidez, doença, ou viuvez, eu não tenho nada a ver com isso.
Acontece que hoje vivemos, por um lado, uma gigantesca falta de limites e de noção que beira ao caos e a insanidade e, ironicamente, por outro, uma super intolerância contra qualquer pequeno ato "infrator" que invada a calçada do vizinho. Farei de tudo para não acabar como o senhor da rua Antenor Lemos. Tem gente que precisa viver brigando por alguma coisa qualquer, pessoas que acreditam sempre estar sendo lesadas. Quem nunca foi??? Não pode ser isso o que nos determina ou reflete no final. Pelo menos não deixei me dirigir pelas minhas próprias rusgas, não aceitei o convite da briga, não fiz o ódio circular, amorteci no peito e pisei no acelerador sem olhar para o vidro retrovisor. É início de semana. Vida que segue.

3 comentários:

Fran disse...

"A paciência é uma dádiva". Todos os dias repito isso como mantra pra ver se a paciência vem e volta. Me fez lembrar um episódio comigo. Na época da facul eu subia a famosa "ladeira do hospital" e vinha uma velhinha descendo. Eu, a Srta Boazinha lancei-lhe um sorriso tipo "Bom dia". A mulher me olhou com ódio feroz e me lançou todo tipo do xingamento, mandou eu fechar os dentes e perguntou se ela era palhaça pra eu rir dela.
Depois disso nunca mais sorri cordial para nenhum velhinho... hehehe... eu héin... Saravá!

Milena Matias disse...

`Bom desabafo Marcelo! Passei por uma situação nessa linha com uma senhora. Fui tão educada e recebi dez zilhões de resmungos...
Tenho pensado super nessa coisa que chamo de "politiquismo correto". Que lugar damos a alguém qdo chamamos de minorias? Que lugar damos a alguém qdo lhe aplicamos um estatuto? Não duvido que seja necessário respeito por alguém que viveu muito, uma fila que garanta algo a quem não suporte passar tanto tempo em pé, etc... A questão é: como respondemos a isso?
Não temos garantias de como o outro recebe nosso ato, nossa resposta. Há gente que Jovem ou Idosa tem prazer em se queixar, que se ensurdece na queixa e não deixa espaço, ñ ouve o melhor argumento. Seguimos...
Beijo

Jéssica V. Amâncio disse...

Temos que ignorar pessoas assim, e elas insistem em cruzar nosso caminho! acontece. o segredo é entrar por um ouvido e sair por outro.
rs