segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ampulhetas

O calafrio das cobertas,
a vagareza de despertar,
compreender o espelho,
imaginá-la presa comigo,
espiá-la lendo deitada,
esquecer de girar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

nas coxas

Esqueceu quem era cedo
Carregava sua porta fachada estandarte como se a vida fosse um carnaval
Sem cinzas ou bandeiras
Brincou de rei e mamou restos de rosas
desossado, nunca pode sofrer.

Amor mediado

Amor virou um clic num link,
entre horóscopos,
15 milhões de possibilidades,
inscrições sempre abertas,
compatibilidade virou estatística,
sem margens de risco,
me belisco.
Acordem.
Não existem filas.

domingo, 7 de junho de 2009

Fé

Apesar da gravidade, devemos jogar maçãs para os céus.

Chances

Os olhos beliscavam o ar
Suas maçãs ignoravam a gravidade como se não houvessem leis.
Sublinhei-a em meu sono.
Coloquei-a entre parênteses
sem pontos finais,
tudo pode ser,
saberei a probabilidade de tirá-la do aleatório?

sábado, 6 de junho de 2009

Tempo

Nunca é tempo de ser feliz
Felicidade não tem agenda nem batida
alegria não é espera
não se alcança
não há túnel nem fim na salvação
amar não é uma dependência solitária
Nada acontece naturalmente, ilusão pós moderna de fluidez,
não somos naturais
É preciso desejo, impulso, força, direção, resistência e fé.
Não pense que é fácil ou pouco.
De graça nada é muito divertido.
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A felicidade bateu em sua porta, o incrível é que às vezes ela bate mesmo. Nem abriu... Não quis olhar seu rosto.... teve medo e pressa... O pacote não vinha pronto....

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ricardo Silvestrin

palavra não é coisa
que se diga
quem toma a palavra
pela coisa
diz palavra com palavra
mas não diz coisa com coisa
a palavra pode ser pesada
a coisa, leve
e vice-versa não é coisa alguma
a palavra coisa
não é a coisa palavra
palavra e coisa
jamais serão a mesma coisa

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Quebra cabeças

Ela juntava um quebra cabeças.
Queria saber se todas as peças do jogo estavam lá.
Impaciente, tinha dificuldades, não era boa com isso.
Eu disse que as caixas sempre revelam quantas peças carregam. 49.
Ela agradeceu, e contente, contou.
Quantas vezes perdemos tempo tentando montar quebra cabeças quando a resposta já está na caixa?
Fiquei feliz.
Entendi porque existimos.

Bem vindo frio

Frio não é psicológico, frieza é!
O frio pede aproximação, reclama o toque, faz a gente esquecer o conforto da solidão
O frio chama o sol, faz a palavra falada lançar vapores aos ares
O frio quer fricção, faz a gente desenhar nos vidros, estica a pele, desperta apetites
O frio pede companhia, faz a gente querer chocolate com muita calda de romance
Ainda bem que as estações mudam, o frio chegou, espero manter esse calor dentro de mim, com ele minhas geleiras estão desmoronando. Que as chamas do outro sejam bem vindas.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Reabilitação

Alguma coisa aconteceu com meus pés, ainda não sei bem o quê, nem de que modo.

Foi algo simples e pequeno, algo insignificante num primeiro olhar, mas que tornou-se emblemático num segundo. Tudo deveria ser emblemático quando se vive.

Decidi parar! Parar é o melhor jeito de recomeçar.

Descobri que andava distante, afastado daquilo que me tornaria quem eu temia ser. Ser na verdade.

Entendi que vivia infeliz com coisas que fiz ou sofri no passado. Remoer é resentir ódio para sempre. Querer consertar o que foi é uma maneira de estragar o que pode ser. Não quero tentar consertar o passado para finalmente viver. O passado é quebrado e com pontas e ponto.

Acontece que como todos os lunáticos eu perseguia, desesperadamente os altos fins, e acabava fugindo de volta para mim, desejando apenas um prato de comida.

Quero parar de interpretar e esperar sinais. Aprender a dar votos é bem mais divertido.
Perder e ganhar tomam perspectiva e valor.

Solução para a solidão nunca houve. Não há droga para a solidão. Só arriscando.
Viagens, casamentos e flores adiam.

Tenho deficiências, fraquezas, unhas e cabelos. Mesmo assim serei bom, apenas bom.

Minha paralisia cordial teve um abcesso. Minha face parece querer derreter. Meus olhos arder.

Chega de iludir o ódio e o amor com uma arrogância coberta de falso auto respeito e ingenuidade.

Aconteceu que essa semana eu virei uma criança.

Espero que não sem fim.

domingo, 17 de maio de 2009

Ludwig Wittgenstein


As pessoas pensam que os cientistas existem para instruí-las e os poetas, os escritores, os músicos, os dramaturgos e os outros artistas, para lhes dar prazer. Não ocorre às pessoas que estes últimos também têm muita coisa a lhes ensinar.
Foto: peça "Sonho de um homem ridículo", baseado no conto homônimo de Fiodór Dostoievski, com Celso Frateschi , direção de Roberto Lage. Eu ví essa peça!!!!! Me ensinou muito!